...saída de conteúdo do núcleo gelatinoso de um disco vertebral!

em 28 de setembro de 2018

O QUE É?

A hérnia de disco é a saída de conteúdo do núcleo gelatinoso de um disco vertebral! As regiões mais comuns de serem acometidas com hérnia de disco são a coluna lombar e a coluna cervical. Essa doença é a que mais provoca dores nas costas e alterações de sensibilidade para coxa, perna e pé. Aproximadamente 80% das pessoas vão experimentar a dor lombar em algum momento de suas vidas.

Mesmo o paciente se sentindo bem sem tratamento, é importante que ele faça um programa de tratamento voltado para a funcionalidade normal da coluna e para o seu fortalecimento. As pesquisas são categóricas: após os primeiros sintomas de dores nas costas, os músculos que protegem a coluna vertebral começam a ficar fracos e atrofiados.

A população precisa saber que essa doença não tem cura. As pessoas melhoram da dor, voltam a ter uma vida normal na maioria das vezes, mas é bom deixar claro que o repouso e os medicamentos não devolvem a funcionalidade nem fortalecem os músculos que ficaram fracos com a doença. Acreditamos que esse seja um dos principais motivos de tantas dores recorrentes na coluna vertebral. Assim, se você teve um episódio de dor severa na coluna e esses sintomas permaneceram por mais de três meses, provavelmente outros virão. Essa regra vale para 100% dos casos. Portanto, o segredo é fazer uma atividade física em locais adequados e com profissionais especializados.

 

COMO SURGE A HÉRNIA DE DISCO

 

A palavra “hérnia” significa projeção ou saída por meio de uma fissura ou orifício de uma estrutura contida. O disco intervertebral é uma estrutura fibrosa e cartilaginosa que contém um líquido gelatinoso no seu centro, chamado núcleo pulposo. O disco fica entre uma vértebra e outra da coluna vertebral. Esse anel fibroso, quando fissura ou está desgastado, permite que o líquido gelatinoso que está mantido no seu centro realize uma expansão ou abaulamento da sua estrutura e também pode se extravasar. Quando esse fenômeno ocorre em pequenas proporções, chamamos protusão discal. Se a lesão no anel fibroso que mantém o núcleo for grande, o líquido contido no núcleo poderá sair para o meio externo e, quando isso acontece, o disco poderá diminuir de volume, achatando-se. Por isso, chamamos de hérnia de disco. Dependendo do local da saída desse “gel”, o paciente poderá sentir fortes dores ou não. Com esse conceito, fica claro que o importante é saber qual é a localização da hérnia de disco, e não o seu tamanho.

 

DADOS SOBRE A HÉRNIA DE DISCO

 

95% das pessoas que sofrem com a hérnia de disco não precisam realizar cirurgia na coluna vertebral, podendo tratar com método não invasivo.

13% das consultas médicas envolvem dores na coluna.

15% da população mundial sofre com a hérnia de disco.

70% da população brasileira com mais de 40 anos sofre de algum tipo de problema na coluna.

Mais de 6 milhões de brasileiros sofrem com a doença.

Pessoas com faixa etária de 25-45 anos apresentam o maior índice de casos de hérnia de disco.

 

CAUSAS DA HÉRNIA DE DISCO

 

A palavra “coluna” já diz tudo sobre a importância desta estrutura no nosso corpo. Ela é o centro de equilíbrio do sistema musculoesquelético do ser humano e fornece a base para a estabilização do nosso corpo, permitindo uma distribuição perfeita das forças e dos gestos exercidos no nosso dia a dia ou nas práticas esportivas. Não é à toa que muitas lesões da coluna vertebral são atribuídas ao desequilíbrio e ao desalinhamento desta estrutura. Ou seja, a má postura é, sem dúvida, a grande vilã das mazelas existentes na coluna.

Existe uma postura correta para qualquer movimento que realizemos, inclusive, quando estamos em posição estática. Com a correria do dia a dia, nem sempre é possível obedecer a todas as regras, mas ainda assim podemos adotar o máximo de cuidado para não sobrecarregar os nossos músculos e articulações.

 

FATORES PREJUDICIAIS:

 

1 – Fatores hereditários;

2 – Traumas diretos ou de repetição;

3 – Fumo;

4 – Idade avançada (também é motivo de lesões degenerativas);

5 – Sedentarismo (é um fator determinante para dores nas costas);

6 – Ação de inclinar e girar o tronco frequentemente;

7 – Posição de ficar em pé ou sentado por muito tempo, principalmente no trabalho;

8 – Ação de levantar, empurrar e puxar objetos;

9 – Movimentos repetitivos em casa ou no trabalho;

10 – Prática esportiva;

11 – Trabalho que provoca vibrações no corpo;

12 – Trabalhar dirigindo;

13 – Fletir o tronco com frequência para apanhar objetos;

14 – Fatores psicológicos e psicossociais.

 

TIPOS DE HÉRNIA DE DISCO

 

> Protrusas: O disco se alarga, mas contém o líquido gelatinoso no seu centro. A base do disco se avoluma e fica mais larga que o diâmetro de origem. As paredes do disco poderão tocar em regiões e áreas de grande sensibilidade nervosa, gerando dores e incapacidades.

> Extrusas: A hérnia de disco lombar extrusa é uma condição ortopédica muito frequente e importante que afeta os discos intervertebrais da coluna que funcionam como verdadeiros amortecedores. A patologia se dá quando há o rompimento desse anel fibroso e o conteúdo gelatinoso interno ou núcleo pulposo sai por meio de uma fissura na membrana, havendo perda de contato dos fragmentos extravasados com o seu meio interno.

> Sequestradas: A hérnia de disco sequestrada é aquela que rompe a parede do disco e o líquido gelatinoso migra para dentro do canal medular, para cima ou para baixo. Além da pressão na raiz nervosa, provoca inflamação e compressão contínua. É o tipo de hérnia que provoca a chamada dor química, pois esse núcleo pulposo, quando fora do seu ambiente natural, tem propriedades químicas ácidas e provoca dores insuportáveis. O paciente se apresenta com postura antálgica, inclinando o tronco para o lado que lhe dê conforto. Neste caso, a melhora só será possível com medicamentos, repouso ou até mesmo cirurgia.

Manter a postura correta não é importante, apenas, para a boa aparência, alterações posturais desde a infância, por exemplo, já predispõem problemas na vida adulta. Daí a necessidade de prevenir hábitos incorretos de postura. Veja, a seguir.

 

SINTOMAS DA HÉRNIA DE DISCO

 

Os sintomas mais comuns são dores localizadas nas regiões onde existe a lesão do disco. Essas dores podem ser irradiadas para outras partes do corpo. Quando a hérnia é na coluna cervical, as dores ou as alterações de sensibilidade se irradiam para as regiões superiores dos ombros, para os braços, as mãos e os dedos. Se a hérnia de disco é lombar, as dores se irradiam para as pernas e pés. O paciente pode também sentir formigamento, dormência, ardência e dores na parte interna da coxa. As pessoas relatam que é uma “dor chata” e que não existe posição que melhore. Alguns relatam que pioram quando vão dormir. Isso acontece porque nesse momento o corpo fica relaxado e os discos se reidratam, aumentando o seu volume, e consequentemente comprimem as raízes nervosas. Nos casos mais graves, a compressão poderá causar perda de força nas pernas e até mesmo incontinência urinária.

 

Observe os principais sintomas de forma resumida:

1 – Dor nas costas há mais de três meses;

2 – Coluna torta quando entra em crise;

3 – Dor noturna que piora durante o sono e que permanece ao acordar;

4 – Dor que piora ao ficar em pé com a perna estendida;

5 – Bastante dificuldade para ficar sentado por mais de 10 minutos;

6 – Redução de força em uma das pernas ou nas duas;

7 – Impossibilidade de ficar de ponta de fé com uma das pernas;

8 – Dor, formigamento ou dormência nos membros;

9 – Dificuldades extremas para segurar a urina;

10 – Redução do rendimento e desânimo para a realização de atividades rotineiras;

11 – Dores de cabeça associadas a dores na região da nuca e que se prolongam para os ombros;

12 – Dificuldades para se locomover ou levantar algum objeto.

 

Qualquer um desses sintomas representa um sério problema para sua coluna vertebral. Não tome remédios por conta própria nem espere que sua dor melhore sozinha. Nenhum tipo de dor na coluna deve ser ignorado, principalmente, quando o paciente detecta a presença de um ou mais dos sintomas listados acima. Ao identificar incômodos similares, deve-se procurar por ajuda médica imediatamente. Mascarar a dor com o uso de medicamentos (por conta própria) ou “receitas caseiras” é colocar a saúde em risco. O ideal é investigar a causa das dores e demais sintomas com a ajuda de um especialista para que a raiz do problema (e não somente os efeitos que ele manifesta) seja tratada de forma adequada e efetiva.

 

DIAGNÓSTICO E EXAME

 

O diagnóstico pode ser feito clinicamente, levando-se em conta o histórico do paciente, as características dos sintomas apresentados e o resultado de exames que são analisados durante a avaliação! Exames de raio X, tomografia e ressonância magnética ajudam a determinar o tamanho da lesão e a localizar em que exata região da coluna está a lesão, mas eles não são decisivos para a tomada de conduta.

O exame mais importante e decisivo é o que realizamos com o paciente: ouvir o que ele tem para nos falar sobre a dor, procurar saber o que ele faz no dia a dia em casa e no trabalho e entender as reações do corpo. Todos esses detalhes poderão dar uma grande contribuição para melhora do paciente, e cabe ao profissional ficar atento. A falta de atenção com o paciente é um dos fatores de negligência das condutas dos profissionais de saúde. O cuidado e a atenção com os nossos pacientes são imperativos.

As dores lombares também têm suas peculiaridades, mas, assim como ocorre com as dores cervicais, procuramos primeiro escutar o paciente e, depois, fazer o exame clínico. Fazer uma boa avaliação física do quadril é de fundamental importância, pois é muito comum as pessoas que têm limitações ou lesões nessa região também terem dor na coluna vertebral. Essa relação entre o quadril e a coluna vertebral já foi motivo de muitas pesquisas científicas. Hoje podemos afirmar categoricamente que existe uma forte ligação entre as duas estruturas e que é muito comum encontrarmos em nossos pacientes dores ou restrições em ambas as estruturas.

O mais importante é que hoje nós temos excelentes alternativas de tratamento sem cirurgia. A população deve ter consciência desses novos conceitos de tratamento e não aceitar a primeira proposta de condutas invasivas. Os governos federal, estaduais e municipais e os planos de saúde não aguentam mais pagar tanta conta de cirurgia de coluna e – o mais importante – muitos desses procedimentos não estão trazendo os resultados desejados para os pacientes. Existem médicos que estão exigindo que o paciente assine um longo contrato antes dos procedimentos. Tudo isso para o médico se precaver das futuras reclamações ou processos judiciais. Parece até a confirmação do insucesso que vai existir com o procedimento. É importante que todos pesquisem e tenham mais cautela e paciência no momento de escolher o médico.

 

A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO EXATO

 

Pessoas com suspeita de hérnia de disco são diagnosticadas em, apenas, 1% a 5% dos casos com a patologia. A maior parte não tem hérnia discal, mas sim outros problemas, como o famoso bico de papagaio, ou seja, a falência estrutural ou funcional dos discos intervertebrais.

Muitas vezes, o sintoma que o paciente acredita ser de determinada doença é, na verdade, decorrente de outro problema que pode ser de resolução mais simples – e também mais grave. Daí a necessidade de um diagnóstico exato e precoce. Nenhum paciente deve ser submetido a qualquer tratamento antes do primeiro passo (insubstituível): a avaliação. Um especialista deve realizar todos os procedimentos para identificar o problema a ser tratado, as necessidades específicas para o quadro daquele paciente e as limitações apresentadas pelo mesmo. Uma vez realizado esse passo inicial, o atendimento poderá ser direcionado ao paciente com uma maior garantia de resultados seguros através do tratamento.

 

COMO PREVENIR UMA HÉRNIA DE DISCO

 

Mudanças no estilo de vida são indispensáveis para evitar o surgimento da hérnia de disco. Dentre as orientações, podemos destacar:

– Evitar o fumo;

– Praticar atividades físicas sob orientação profissional para, sobretudo, fortalecer a musculatura de sustentação da coluna, tornando-a mais resistente aos possíveis impactos;

– Adotar uma dieta saudável para controlar o peso corporal e prevenir que a coluna sofra com as sobrecargas;

– Não carregar excesso de peso no dia-a-dia ou no trabalho;

– Praticar exercícios de alongamento;

– Manter uma postura adequada em todas as situações.